Tati, como
é conhecida, estava pronta para conhecer a sogra sete meses
depois de namoro oficial e mais um ano "ficando" com Matheus.
A garota, bela morena de sorriso cativante era formada em
jornalismo, assessora de comunicação da prefeitura de
sua cidade, apesar do rostinho de garota e voz doce, quando falava
não lhe faltava postura e firmeza.
Ansiosa, sempre aproveitava para alfinetar o namorado quando o papo
era família, o rapaz nem se abalara quando ela falou
diretamente:
- "Mô' quando você vai me apresentar aos seus pais? Faz
mais de um ano, me sinto insegura assim..
Matheu era
timido porém astuto, ele tinha certeza de ter encontrado a
mulher da sua vida. No entanto, sabia também que levar Tati
aos seus pais seria a primeira prova de fogo que iriam enfrentar.
Dona Maria era uma mulher dificil, amava o filho unico e morre de
ciumes. Matheus sabia disso e evita encontro entre os lados,
já tivera situações embaraçosas,
não deixaria acontecer novamente.
Dessa vez
não teria jeito, o encontro estava marcado. Seria uma luta:
de um lado a caçadora, doce, linda, inteligente e
"aproveitadora", do outro lado uma mãe coruja protegendo seu
filho de 27 anos das garras ferozes de Tati..."estou perdido",
pensava ele.
O encontro.
Ela educada e sociavel, apresentou-se aos senhores com muita
gentileza e foi retribuida a altura. Sábado de sol e um
almoço de aniversário de 84 anos de um amigo de seus
pais, era exatamente o que Matheus queria: um lugar imparcial e com
outras pessoas ao redor que pudessem diminuir a
tensão.
No caminho da
festa, o jovem se colocou no banco traseiro com a namorada,
não dando chance dos pais deixarem ele dirigindo, seria
amarrar as mãos e desproteger a namorada, que foi ao seu
lado na dianteira do automovel.
Na festa, mesa para oito pessoas de duas familias que se
conheciam e trocavam convesa a vontade, as senhoras
conversando entre si, os homens falavam de futebol e Matheus
abraçava Tati.
Duas horas
passaram desde a chegada à festa, todos ja demostravam
certos efeitos do alcool, dona Maria falava mais ainda do que de
custume e dançava também. Matheus não bebia,
tenso só queria ver tudo terminar. Ele sentia que estava
perdendo o controle da situação, Tati não se
segurava ao seu lado, aproveitara seus conhecimentos para
infiltrar-se nas conversas femininas. "Não fala", pensava
ele, "você está fazendo o contrario".
- Amor,
não precisa se sentir na obrigação de
conversar, relaxe!- dizia ele.
- Ow "theus" sua familia é otima, muito
engraçada!
Isso machucou o garoto, "ela não estava assumindo, deva
estar morendo de constrangimento", sentia por ela.
Eram quatro e
meia da tarde, começavam as despedidas da festa, quando
Matheus teve certeza que dera tudo errado, uma senhora daquelas
fofoqueiras comentou:
- Hum, ele
é muito bonito! Segura esse rapaz, mocinha...
Sem jeito, e com o rosto visivelmente envergonhado, Tati consegui
soletrar.
- Pode deixar comigo...
Dona Maria até então quieta, fez o comentario
decisivo:
- Ah, segura ele por que se você vacilar, ele....
E fez um gesto cortando o ar na horizontal bem na altura do
pescoço, semelhante ao gesto de degolar.
Para Matheus, uma indireta da mãe para a nora, para causar
um clima de desconfiança no casal, " bem coisa de sogra
mesmo", pensava.
Para Tati, um sinal de que havia conquistado a sogra, e mais,
conquistado uma aliada poderosa para cuidar dos passos do
namorado.
O que ela quis
dizer com o gesto eu não sei, mas o casal continua junto, e
dona Maria, sempre faz um bolo para Tati...